sábado, 21 de agosto de 2010

MORTE DIÁRIA

Morte Diária 

Todo dia um adeus. 
Todo dia uma despedida. 
Até o sempre do amanhã. 
Todo dia uma ida. 

Não agüento mais, 
Te ver partir e ter de esperar 
um novo sol surgir, 
Para em ti me aconchegar. 

Ou me perco de ti, 
Ou me perco de mim, 
Mas te vê-la partir 
Não quero nem por um xelim. 

A noite é longa demais, 
E mais longa fica. 
Pareço estar em funerais 
Ou numa obra de Mojica. 

Cada noite 
é um pedaço de mim que se vai. 
Arrancado no cru açoite 
De um cabo de estai. 

E com o corpo e a alma rubro, 
Dobro-me em três. 
De lágrimas me cubro 
Me entrego de vez. 

Deixo a morte me buscar, 
Me levar para os seus labirintos. 
Não vou mais lutar 
Já estou totalmente extinto. 

Agora só um corpo jaz, 
Uma sombra do que foi um dia. 
Com um amor que era voraz 
E que morreu de fantasia. 
OLDER

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