domingo, 12 de julho de 2009

PENSAMENTOS....

“Com todo perdão da palavra, eu sou um mistério para mim.” (Clarice Lispector).

“Às vezes ouço passar o vento; e só de ouvir o vento passar, vale a pena ter nascido” (Fernando Pessoa).

"Gosto do modo carinhoso do inacabado, do malfeito, daquilo que desajeitadamente tenta um pequeno vôo e cai sem graça no chão." (Clarice Lispector).

"Felicidade se acha é em horinhas de descuido" (Guimarães Rosa).

"Entender é sempre limitado. Mas não entender pode não ter fronteiras. Sinto que sou muito mais completa quando não entendo (...) O bom é ser inteligente e não entender. É uma benção estranha, como ter loucura sem ser doida. É um desinteresse manso, é uma doçura de burrice...” (Clarice Lispector).

O QUE QUEREM ? JOVENS DE N. GRANADA



O querem?

Deixar o barco passar..ou entrar dentro e fazer história..

Realizar projetos de vida.. ai que chegada a hora de decidir ..

Aqui fica meus respeitos por estes jovens que acompanhei desde a pré escola lol...

Vivas dou a este pequeno passo de vocês principalmente depois de perceber como seus olhinhos ficaram vidrados a cada palavra do Professor LUCIANO ALVARENGA..

Isso como diz ainda vou ver muitos frutos dessa opção.. e raízes profundas com vossa terra..

Parabéns a todos ninos e ninas que aqui começam nova vida..

A OUTRA METADE



A OUTRA METADE

Sua outra metade voaa!!!

de encontro a essa saudade ...

sem noites de amor queria estar sem véu...

sem nada apenas eu...

No sonhos de uma quimera ainda te encontrei...

E seus versos em palavras vislumbrei...

Um pedacinho de mim..

Nada se via a não um céu estrelado...

Na minha escuridão somente a ti busquei...

De saudades de seussussuros...

Metade fiquei, inqueieta..adormeci...

Ai nem sei se bonitinha mas hj estou arrefecida ...

De cabelos molhados caindo gotas em mim..

Mas que olhar de saudade...

É meu olhar de desejo...


Samantabrandireis 21/06/09

ABC da VIDA um real alfabeto do meu viver.



ABC da Vida um real alfabeto do meu viver.

- Abra os olhos para ver as coisas como realmente são.

- Tão belas que deixa de enxergar o existencial da vida.

- Vida em movimento sempre.

- Bom seria apenas acreditar que é possível.

- Belo e raro são os seres que assim pensam.

- Basta apenas acreditar em si mesmo.

- Como? Já olhou a sua volta.

- Caminhou sem rumo e.

- Considerou as coisas por vários ângulos.

- Desistir é palavra que deve ser riscada do mapa.

- Durante muito tempo passamos a acreditar-nos outros.

- Dia após dia via a noite linda um azul cobalto e pontos luminosos.

- Entendi um dia em meu telhado que descortinava.

- Entre a terra e o céu que ainda faltava algo.

- Entendi que para conhecer meu semelhante ante de mais nada tinha que me conhecer.

- Felizmente descobri muitos tesouros nesse dia.

- Família meu pilar nesta vida.

- Fácil demais foi perceber meus amigos raros tesouros preciosos e que precisam de cuidado.

- Ganhei o mundo fazendo mais e dando do que esperando.

- Garanti uma riqueza pessoal impossível de se comprar.

- Ganha mais ainda quando se faz amigos reais mesmo virtuais.

- Hoje aprendi muitas coisas vida é curta e o tempo mais ainda.

- Hoje decidi viver, o ontem se foi e se esperar demais amanhã não chegará.

- Hoje gostaria de dizer o quanto amo...

- Ignorei meus medos, meus abismos minha solidão.

- Ignoro todo minutos de maus presságios e tento dar o melhor de mim.

- Ignorei aqueles que não acreditaram em mim.

- Já era hora de mudanças da água para o vinho.

- Já foi o tempo em que eu ficava assim melancólica.

- Já era hora de dançar, cantar de agir ser hoje fazer hoje.

-Li na pagina da minha vida que estava em branco. O nada..

- Li novamente o dia anterior e percebi que não havia produzido nada. - Li no fundo da minha alma que era necessário abrir meus olhos. .

- Mas do que tudo queria vitória, momentânea.

- Mas do que tudo tinha meus sonhos desabando.

- Mas do tudo me mostraram que tinha que lutar pelos meus sonhos.

- Nunca esperava encontrar forças.

- Nunca tinha precisado de um olhar e que minhas lágrimas visse.

- Nunca tive um motivo tamanho de agradecimento como este que estou a fazer.

- Obtive paz harmonia, encontre tão longes pessoas que fizeram diferença.

- Olhei ao meu redor e estava cheio de carinho de vida de aconchego.

- Observei minha vida de outro ângulo estava a perder-me e me encontraram.

- Praticas nos leva a perfeição, só não ensina a ser práticos nas horas criticas.

- Portanto meu eterno agradecimento a quem sem pratica nenhuma me deu a mão.

- Por simples coração bondoso, me puxou levantou fez-me fortaleza de mim mesma.

- Quem desiste não vence os persistentes sempre alcançam.

- Queria ser o mar e alcançar cada ser uniforme deste infinito viver.

- Queria um coração maior para caber mais amor e reparti-lo.

-Resolvi ser eu mais que tudo nesse momento deixar transparecer o que me aconteceu.

- Resolvi aqui deixar claro que nas maiores dificuldades temos muitos colos para sentar.

- Resolvi que realmente necessitava deles e chorei, gritei tive vontade de sumir e só recebi carinho.

- Sonho que quase acabou reviva como fênix voou alto.

- Sonho que hoje é minha realidade projetada a cada dia a cada conquista.

- Sonho que não sonhei sozinha sonhou junto com dois anjos minhas paixões.

- Tomei e assumi conta do meu destino fiz de meu terror minha luta.

- Tomei a guerreira que a mim habitava, mas não sabia tamanha força que tinha.

- Tomei um caminho sem volta.

- Uma virtude eu desejei ter a paciência e tive que aprender exercitá-la.

- Uma vida ainda era jogo e o campo meu destino somente um acerto poderia ser uma vitória.

- Unicamente me senti perdida e ao abismo do fio da vida me lancei conhecia os riscos.

- Visualizei apenas cada segundo um abrir e fechar de olhos.

- Vi o que desejava... Acordar!

- Vida de sete vidas me destes mais uma... Uma benção.

- Xi acho que ando a divagar muito.

- Xá mã me disse que tupã era Auaycã , cigano me mostrou o outro dia..

- Xá mã me deu mais um umautuan cayanpô de vida.

- Zau nunca me disse que eu era parte de algo maior.

-Zas que em momentos descobri a importante razão de viver.

- Zzzzummm sonhando com tudo isso? Ou que me foi uma verdade... amigos são tão importantes pra mim..


Samanthabrandireis 24/06/09

DESTA VEZ NÃO É APENAS ILUSÃO



Desta vez não é apenas uma ilusão...

Quando te vi pela última vez você se mostrou toda, bem lá do fundo, onde sua alma em mim aconteceu, mesmo estando eu completamente sem esperar nada. Entretanto... você chegou desinibindo meus olhos com a tua beleza que o sol fez questão de ensolarar, para que esse teu corpo se misturasse logo ao meu, e pudesse minhas ânsias se juntarem depressa em ti, como um rio se junta para logo formar uma laguna, represada pela paixão que você mostrava nos olhos, esses olhos escuros que enfeitam teu belo rosto feliz, onde um sorriso salta aos olhos, porque feito de amor e carinhos, que são para mim, um evento nesta tarde, em que o sol acariciando suavemente todo teu corpo lança reflexos ...esse brilho que é na tua pele morena, esse êxtase em forma de uma canção de uma Sosa. E então vejo que teu olhar se combina ao teu sorriso, e que às vezes ele se esconde matreiro na madrugada, para que cada sorriso teu possa valer logo por cem. Você então, sussurando, me diz suavemente que me ama, e que nossa vida está mal começando e que quer ser tudo para que me sinta capaz de receber tudo o que quer dar, pois os amanhãs são flores incertas que podem sem querer perder aquele viço, e ao mesmo tempo seu suave perfume, esse mesmo que exala de você como se fosse uma primavera. Uiii...que agora eu nem sei mais por onde começar tudo, porque sei que você tomou conta de todos os meus dias, mesmo quando se parecem tão diminutos como um dedal. Ah..esse tempo de voragens e de ventos fortes tão distantes, agora eu só penso em você nesse teu lindo charme de mulher, trazendo diante de mim esse brilho de olhar, todo reluzente, que fico simplesmente plantado neste mesmo voar do tempo, em que você agora é pássaro de arribação chegando em mim, como sempre, para trazer em meu lânguido olhar tua paixão... E eu te digo meu amor....desta vez não é apenas uma ilusao...
Poesia que fiz em 03-07-09 às 23.30 h em SP Lua crescente – chuva o dia todo – 20 graus Beijos e abraços para você...e boa sexta... RECANTO DAS LETRAS MEU AMIGO CÁSSIUS

sábado, 11 de julho de 2009

O MEU DESEJO POR TI ESCRITO ASSIM AOS POUCOS




O meu desejo por ti escrito assim aos poucos


É como o vento bravamente


Sem querer vem na ventania doce


Me trazer respingos de amor


Amor esse que já me sentia perdido


Esquecido em minha alma


Já tinha desaprendido a amor


Uma quietude me tinha tomado


Dando a minha vida apenas a linha fina de viver


Sem pepectivas maiores a não ser doar-se


Ai que noite linda enluarada


Me vi diante de poema tão limpido


Cheio de vida, ai vida que queria pra mim


Naquele instante me apaixonei


Sem saber como ir ou ter



Tive que buscar meios de te ter pra mim


Doce amiga via inquerente de teus poemas


Transmissora de seu amor poeta


Inebriante corrente que fez vibrar


Vibrei de amor de vida


Numa busca discreta quis sua amizade


Um sim, sim me veio assim


Nesse momento vi minha chance de agarrar


Suas palavras ao vento e te definir


Como poeta amado dividido


Mas queria mais


Queria o homem


Na relva de todas manhãs


Com orvalho de suas doces


Poesias me foi conquistando


Nas pequenas coisas do nosso dia dia


Tal qual o tempo


Fizemos o nosso tempo


Primordial momentos só nossos


Fosse as tarde semanais


Ou nossas intermináveis madrugadas


Regada a musica


Sons doces melodia linda


Viu nosso amor


Que veio leve como brisa


Nos foi tomando acariciando


Até o dia que flores nos foi dada


E o perfume mais sereno


Da noite mais enluarada


Tu se mostrou em sua plena


Alegria inflamado de desejo


Ai desejo ... que eu fiquei


De aos poucos também me dar


Simples despida de tudo


Assim foi e numa tarde


Sem mais me abri me entreguei


Nessa entrega amei


Amei cada segundo e hoje


Ritmos de chuva me levam


A ti assim feito beija flor


Sabe será sempre assim


Que em prenuncio magistrais


Nos permitimos a amar..





Samanthabrandireis 05/07/09

IDADE DA LOBA



IDADE DA LOBA
IDADE PRECIOSA
CHEIA DE VIDA
ÀS VEZES IMPREVISÍVEL
POIS TUDO TEMOS A GANHAR
E SE PERDER AI, TUDO BEM
TEMOS CONSCIÊNCIA DO QUERER
ENTÃO ME DEIXO ENVOLVER
CHEIRO RELVA QUER SENDA
LIBERTO TODOS OS DESEJOS
HÁ TEMPESTADES DE VIDA
ESPALHO TODA SENSUALIDADE
QUERO CHEIRO DE MATO
LILÁS, CORES EXUBERANTES
DA ALMA, QUALIDADE DO VIVER
EMBRIAGO NESSE MOMENTO
DOU-ME INTEIRA SOU FÊMEA
LOBA LIGEIRA
COM OLHOS BRILHANTES
PRENDO INEBRIO MINHA PRESA
FIZ-ME FACEIRA
NUM FEITIÇO TE QUERO INTEIRO
SEGURA DE MIM MESMA
PRENDO-ME EM SUAS REDES
UIVO EMBORA NÃO SEJA LUA CHEIA
E NAS NOTAS MAIS SIMPLES DO PRAZER
DAMOS-NOS SEM MEDO
UMA ENTREGA MADURA
TOTAL COMPREENSÃO
DE UM LEVE TOCAR
UM OLHAR DE ESGUIO
VEIO-ME UM PRELUDIO DE SER LOBA
POR FAZER O OUTRO SER UM PRIMEIRO
ENCOSTAR-SE A MIM
UM SUSSURRO, UM DELÍRIO
DE SER MULHER, SER MENINA
SER APENAS O ENCANTO
DO VERDADEIRO PRAZER

Samantha Brandi Reis
08/07/09

CHORAR?



Podem chorar à vontade faz bem para a alma e lava o coração eu fico aqui calado oferecendo meu ombro e um balde de flores abraçe este símbolo dos amores agora..um sorriso por favor!!!

terça-feira, 21 de abril de 2009

A INFLUÊNCIA DA MÚSICA ATUALMENTE

A influência da música atualmente
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E hoje de que maneira a música influencia o comportamento das pessoas em uma época de tantas transformações (individualidade, competição) e desenvolvimento na nossa sociedade?

A influência da música é uma constante na existência da organização da civilização humana. Ao observarmos a história antiga já vamos perceber que, apesar de não haver formas objetivas de registro, as grandes orgias daquele povo eram animadas por músicos tocadores de instrumentos percussivos e harmônicos. Essa referência é importante, porque temos aí nesse caso a indicação dos primeiros indícios da influência da música no comportamento humano. Entretanto, para que tenhamos uma noção mais objetiva do que está sendo colocado e a dimensão sobre o poder da influência de tal expressão artística, vamos tomar como referência a contextualização histórica da influência da música na Ditadura Militar do Brasil. Sob esse aspecto vamos observar que com o que aconteceu nesse período o povo brasileiro pode ter um contato diferenciado com a possibilidade do questionamento dos acontecimentos, além de que tivemos, nesse período da história de nosso país, o início da massificação da música como produto da indústria cultural, uma vez que os grandes festivais de MPB eram transmitidos pela TV Globo a uma grande parte de nossa população.

Nessa época temos notícia de vários tipos de influências no comportamento do povo brasileiro, as quais caracterizavam-se pelos diversos tipos de músicas, que conseguiam ou não aprovação na peneira da censura instalada na época, pelas autoridades militares que governavam o país. Uma “tonalidade” da influência da música em nosso povo, naquela época, é o fato de que, após a agressão sofrida pelos tropicalistas, uma grande se não a maioria dos gêneros e movimentos culturais da música brasileira expressava, nas diversas autorias, uma tentativa de comunicar seu posicionamento diante das atrocidades da ditadura e informar a população brasileira sobre os acontecimentos, além de mobilizar e preparar todos os tipos de artistas e cidadãos para que não ficassem a mercê dos ataques dos protetores da tradição, família e propriedade, paranóicos do anticomunismo do estado brasileiro. Dessa maneira a maior parte das músicas evidenciava a influência do PROTESTO.

Surgiam então as chamadas MÚSICAS DE PROTESTO. A maioria delas vinha do movimento cultural conhecido por tropicalismo, o qual os historiadores costumam afirmar que tais músicos foram vítimas da confusão dos governantes, uma vez que suas atitudes de irreverência, ao serem consideradas uma afronta ao estado vigente, paulatinamente, vão tornando-se ações de resistência ao regime que impunha aos músicos da época a opressão em suas maneiras de expressarem-se. Suas músicas vão ter uma influência de fazer com que os jovens estudantes e, principalmente alguns setores da sociedade que não aceitaram o golpe militar, saírem às ruas cantando tais canções e comunicando suas reivindicações através das letras de músicas, como “Alegria, alegria” de Caetano Veloso, que inicialmente eram um chamado a irreverência da juventude remanescente dos movimentos hippies, vai fazer com que os militares comecem a observar mais atenciosamente o convite a irresponsabilidade geral além de outras ofensas a moral das tradições, família e propriedade da época, as quais atingiam diretamente os ouvidos de grande parte da população estudantil de nosso país.



Família de Caetano Veloso: capa do disco "Jóia". A irreverência do artista, que é levada a atitude de protesto contra o regime militar





CAPA DO DISCO APROVADA PELA CENSURA


A canção “Caminhando (Pra Não Dizer Que Não Falei das Flores)” Geraldo Vandré, tornou-se um hino na época da ditadura para os jovens que não concordavam com a opressão do regime militar em 1968. A música foi proibida de ser cantada e executada em todo o país. Só voltou a ser escutada, liberadamente, em 1979, após a abertura e anistia política.


No período que durou a censura e o regime militar, Chico Buarque foi um dos artistas mais perseguidos. Os censores alegavam que todas as vertentes de criação desse artista, acusando-as de canções de protesto que feriam os costumes morais da época, e isso, desde o começo da carreira. Mas a situação mais marcante ocorreu com a música "Apesar de Você":

Exilado na Itália, de 1969 a 1970, Chico Buarque, ao retornar ao Brasil, vai sofrer uma ação atípica da Censura. Em 1970 o compositor enviou a música “Apesar de Você” para a aprovação da censura e tinha certeza que ela seria censurada. Entretanto, a canção foi aprovada. Assim, o artista imediatamente a grava em compacto, e a música tornou-se um sucesso. Já vendidas mais de 100 mil cópias e um jornal comentou que a música referia-se ao presidente Médici. Divulgado isso e o exército brasileiro invadiu a fábrica da Philips, apreendendo todos os discos, destruindo-os.

Veja o impacto emocional, em sua pessoa, na reflexão que estamos fazendo, ao ver um vídeo com imagens de acontecimentos da época da ditadura e a letra da música
Apesar de Você


É importante ressaltar a função da música na expressão de fatores sociais e de contextualização histórica. Se voltarmos, por exemplo, ao final “lento, gradual e seguro” da ditadura militar no Brasil, veremos uma expressiva linguagem musical, já com uma minúscula liberdade, o que poderia ser considerada uma grande conquista, pois tinha um viés de forte protesto.
Chico Buarque, Caetano Veloso e tantos outros artistas que viveram os anos de chumbo, tiveram de criar mensagens subliminares em suas canções, o que as tornavam composições ainda mais criativas.

Um acontecimento chocante que causou extrema comoção em todo o país foi a morte do jornalista Vladimir Herzog nos porões do DOI CODI. O quadro político nacional e o enfraquecimento da violência pela comoção que causou a morte de Vlado, culminaram em uma abertura um pouco menos lenta e gradual, mas um tanto quanto mais segura.

João Bosco e seu parceiro Aldir Blanc, compuseram “O Bêbado e o Equilibrista”. Um hino na luta pela anistia e pelo fim da ditadura, ao se referir, dentre outras pessoas vitimadas pelos militares, a Clarisse Herzog, viúva do jornalista. “Choram Marias e Clarisses no solo do Brasil”, dizia a composição, dessa vez com objetividade e clareza.


O Bêbado e A Equilibrista
(João Bosco / Aldir Blanc – 1979)
Intérprete: Elis Regina

Caía a tarde feito um viaduto
E um bêbado trajando luto
Me lembrou Carlitos
A lua, tal qual a dona do bordel,
Pedia a cada estrela fria
Um brilho de aluguel
E nuvens, lá no mata-borrão do céu,
Chupavam manchas torturadas, que sufoco!
Louco, o bêbado com chapéu-coco
Fazia irreverências mil pra noite do Brasil.
Meu Brasil.
Que sonha com a volta do irmão do Henfil.
Com tanta gente que partiu num rabo de foguete.
Chora a nossa pátria mãe gentil,
Choram Marias e Clarisses no solo do Brasil.
Mas sei que uma dor assim pungente
Não há de ser inutilmente, a esperança
Dança na corda bamba de sombrinha
E em cada passo dessa linha pode se machucar
Asas, a esperança equilibrista
Sabe que o show de todo artista
Tem que continuar…


A história dessa composição é um dos mais diversos exemplos de demonstração da força da expressão musical como símbolo de protesto. Composta em 1979, tornou-se um símbolo da luta pela anistia. Pela volta dos exilados e pela abertura política do regime militar. Carlitos, personagem mais famoso de Charles Chaplin, representa a população oprimida, mas que ainda consegue manter o bom humor, denunciava as injustiças sociais de forma inteligente e engraçada. A Equilibrista dançando na corda bamba, de sombrinha, é a esperança de todo um povo.
Henrique de Sousa Filho, conhecido como Henfil, foi um cartunista, quadrinista, jornalista e escritor brasileiro. Seu irmão, Herbert José de Sousa, conhecido como Betinho, foi um sociólogo e ativista dos direitos humanos brasileiro; concebeu e dedicou-se ao projeto Ação da Cidadania contra a Miséria e Pela Vida. Com o golpe militar, em 1964, mobilizou-se contra a ditadura, sem nunca esquecer as causas sociais. Mas, com o aumento da repressão, foi obrigado a se exilar no Chile em 1971.
Maria era mãe de Betinho (irmão de Henfil) e Clarice mulher do jornalista assassinado na ditadura Vladimir Herzog. Mas Marias e Clarisses, no plural, fazem referência às mães, talvez irmãs ou mulheres de pessoas que se foram, ou mesmo deixaram o nosso país, lutando por um ideal, um sonho, de ver o Brasil livre para a informação e para a expressão das artes.
Hoje, quase três décadas depois desse período trágico na história do país, a música continua sendo uma ferramenta de protesto. Novos gêneros musicais foram criados e uma miscelânea de ritmos detonou uma cena musical contemporânea que é amada e odiada talvez na mesma proporção: o Rap, que faz parte do movimento Hip Hop. Mas o mais interessante é ouvir o depoimento daqueles que passaram pela história e sofreram para esconder atrás de suas letras, aparentemente românticas, um conteúdo considerado subversivo.

Em entrevista ao jornalista Fernando de Barros e Silva, na Folha de São Paulo de dezembro de 2004, Chico Buarque falou sobre o rap e sua força como expressão não só musical, como também de uma classe social se manifestando e cobrando mudanças.

“Agora, à distância, eu acompanho e acho esse fenômeno do rap muito interessante. Não só o rap em si, mas o significado da periferia se manifestando. Tem uma novidade aí. Isso por toda a parte, mas no Brasil, que eu conheço melhor, mesmo as velhas canções de reivindicação social, as marchinhas de carnaval meio ingênuas, aquela história de ‘lata d’água na cabeça’ etc. e tal, normalmente isso era feito por gente de classe média. O pessoal da periferia se manifestando quase sempre pelas escolas de samba, mas não havia essa temática social muito acentuada, essa quase violência nas letras e na forma que a gente vê no rap. Esse pessoal junta uma multidão. Tem algo aí. O Lula sabe o que o cara do rap está cantando. Ele conhece aquela voz. Não tem o direito de ignorar”.


Com relação à expressão musical do rap, Chico Buarque vai mais além e preconiza:

“A minha geração, que fez aquelas canções todas, com o tempo só aprimorou a qualidade de sua música, mas o interesse hoje por isso parece pequeno. Por melhor que seja, por mais aperfeiçoada que seja, parece que não acrescenta grande coisa ao que já foi feito. E há quem sustente isso: como a ópera, a música lírica foi um fenômeno do século 19, talvez a canção, como a conhecemos, seja um fenômeno do século 20. No Brasil, isso é nítido. Noel Rosa formatou essa música nos anos 30. Ela vigora até os anos 50 e aí vem a bossa nova, que remodela tudo e pronto. Se você reparar, a própria bossa nova, o quanto é popular ainda hoje, travestida, disfarçada, transformada em drum’n’ bass. Essa tendência de compilar e reciclar os antigos compositores de certa forma abafa o pessoal novo. Se as pessoas não querem ouvir as músicas novas dos velhos compositores, porque vão querer ouvir as músicas novas dos novos compositores?. Quando você vê um fenômeno como o rap, isso é de certa forma uma negação da canção tal como a conhecemos”.

Conclusão: vendo as novas expressões de liberdade musical, é possível abrir a porta para o novo e deixá-lo entrar dando-lhe boas vindas aos novos tempos, as novas ordens e ao contexto sócio-político atual.
Contudo, temos que ter alguns cuidados e olharmos para outros movimentos musicais e analisá-los de forma imparcial. Vejamos dois estilos de música que estão em alta em dois grupos de adolscentes distintos: os Fanqueiros e os EMOs.
Os primeiros ficam conhecidos nacionalmente a partir dos bailes Funks dos morros do Rio de Janeiro no início dos anos 2000. Obviametne, lá no Rio, esses bailes já aconteciam na década de 1990, só não havia a exposição na mídia. Essa exposição se deu pela má inlfuência que esse tipo de música exerce sobre os jovens. Se analisarmos na origem o que é o Funk iremos perceber que essa música que vem dos morros cariocas não tem nada a ver com o verdadeiro Funk, que é uma variação da Soul Music norte americana.
A influência do Funk carioca vem de Miami, de uma variação e mistura de rítmos que privilegia especialmente a batida da música. As letras não tem conteúdo, limitam-se a meia dúzia de palavras que evocam a sensualidade de forma vulgar chegando, em alguns bailes, até promoverem sexo explícito entre os adolescentes - isso no
Rio de Janeiro. Neste link podemos ter uma pequena amostra do que acontece nesse tipo de baile. A maioria dos freqüentadores de bailes funk é de adolescentes das comunidades de baixa renda e com pouca escolaridade. Junot com a baile funk surgem os bondes. Os bondes são grupos de dança que se enfrentam nos bailes. No início a disputa era para ver qual bonde dançava melhor e os dançarinos limitam-se a remexer os quadris de uma forma bagaceira. Daí começaram a surgir várias brigas entre os bondes e cada bonde representa o seu bairro. Hoje, estão se transformando em gangs . Para fazer parte de um bonde o menino tem que entre outras coisas ser muito rebelde e essa rebeldia deve ser manifestada principalmente na escola. Desafiar os professores faz parte da lista de rebeldia, a coisa é tipo agreção física mesmo se for o caso. Para ser integrante de um bonde deve-se somente usar roupas de marca originais, bem como o tênis. Pensemos rápido: esses meninos são na sua maioria de famílias de baixa renda. De que forma conseguirão ter um tênis de marca se não trabalham e os pais não têm condições de comprar? É claro que vão começar a roubar. Falando das meninas podemos destacar as músicas que evidenciam um alto grau de machismo, taxando as meninas dos piores adjetivos possíveis, colocando-as em posição de submissão e objetosexual descartável. O resultado disso são meninas iniciando sua vida sexual precocemente expostas a toda sorte de doenças sexualmente transmissíveis, sem falar na gravidez. Não existem estudos oficiais a cerca da influência negativa que o Funk provoca nos adolescentes. O que se sabe são as experiências relatadas por alunos das escolas públicas de periferia e noticiários de jornais. O fato é que esse tipo de música tem um poder de alienar os jovens de tal forma que dificilmente ele vais acreditar que tudo isso possa acontecer por causa de uma música, mas é o que está acontecendo.
Os segundos -
EMOs - têm um estilo bem peculiar. Usam roupas pretas, cabelos com longas franjas e pintados. A múisca que ouvem traz uma letra baseada em problemas existências. A temática são os conflitos juvenis, a melodia bem melancólica e guitarras distorcidas. O EMO é associado a tipos de comportamento dos adolescentes como: timidez, sensível emocionalmente, depressão e auto-mutilação chegando em alguns casos a apologia do suicídio. Fonte: Wikipédia. A questão aqui é a propagação, através da música EMO, de comportamentos antisociais. Quem já teve um aluno EMO sabe o quanto é difícil fazê-lo participar das aulas, não por falta de conhecimento, mas por falta de vontade e por influência do tipo de cultura que está absorvendo.
Os dois casos são muito preocupantes, pois os pais quando se dão conta da situação dificilmente podem ajudar os filhos. A influência da música é tão forte que os adolescentes não acreditam que possam estar sendo prejudicados por causa do seu gosto musical. A questão não é só a música, mas a mensagem que ela passa.
Além disso tudo o que torna a coisa mais complicada é a fase em que os jovens se encontram. Estão num perído de afirmação enqaunto grupo social. O corpo e a mente estão em ebulição, mil conflitos, mais dúvidas do que certezeas. Em meio a isso surge o herói, aquele cantor ou cantora, grupo musical enfim, um ídolo. É por causa da música desse ídolo que os adolescentes vão formando suas opiniões e assim, formando grupos em busca de uma identidade. Nessa medida que a múscia influencia os adolescentes e dependendo da mensagem que esta passa poderemos ter problemas ou não.




Rap é Compromisso
Sabotage


Na Zona sul, Zona Sul, Zona Sul Zona Sul

Hoje choveu nas Espraiadas
Ah Policia sai do pé, Policia sai do pé
Mas mesmo assim ninguém sabe de nada
Ah Policia sai do pé, policia sai do pé
que eu vou dar um pega no

O RAP é compromisso, não é viagem
se pá fica esquisito, aqui Sabotage
favela do Canão, ali na Zona Sul
Sim, Brooklyn (2x)

Tumultuado está até demais a minha quebrada
tem um mano que levando, se criando sem falha
não deixa rastro, segue só no sapatinho
conosco é mais embaixo, bola logo esse fininho
bola logo esse fininho e vê se fuma até umas horas
sem miséria, do verdinho
se você é aquilo, tá ligado no que eu digo
quando clareou pra ele é de 100 Gramas à Meio Kilo
mano cavernoso catador eficaz
com 16 já foi manchete de jornal rapaz
respeitado lá no Brooklyn de ponta a ponta
de várias broncas, mas de lucro, só leva fama
hoje tem Golf amanhã Passat Metálico
de Kawasaki Ninja as vezes 7 galo
exemplo do crime, eu não sei se é certo
quem tem o dedo de gesso tromba ele é o inferno
disse muitas vezes não não era o que queria
mas andava como queria, sustentava sua familia
vendendo um barato de campana, algo constante que ele insiste
na responsa não desanda, não pode tomar blitz
insiste, persiste, impõe que é o piolho
na Zona Sul é o terror ele é o cara, do morro
com a mente engatilhada, o Álibi escutava
ao mesmo tempo registrava, quem deixava as falhas
dizendo que os manos que foram ficou na memória
por aqui, só fizeram guerra toda hora
acontecimentos vem revela vida do crime não é pra ninguém
nem quanto houver desvantagem
só ilude um personagem, é uma viagem
a minha parte, não vo fazer pela metade
nunca é tarde, Sabotage
está é a vantage
RAPPER de fato grita e diz

O RAP é compromisso não é viagem
se pá fica esquisito aqui Sabotage
favela do Canão ali na Zona Sul
Sim, Brooklyn (2x)

O dia-dia então reflete esperança
e quando saber de avoada aí, longe das crianças
ele deslancha, tanto no campo ou na quadra
morreu mais um na Sul, o boato rolava
cabrero, ligeiro, trepado e esperto
tamandua que te abraçar que te lançar no inferno
com o tempo se envolveu, em várias areas
BNH Espraiada Conde Canão Ipiranga
Zona Leste e Oeste, Jaragua e Itaipaçu
mas é tio quem viu viu, o crime não é Bombril
que acionado, ativa mais de mil utilidade
na alternativa se eu sei você sabe
Deus ajuda é verdade, vai na fé não na sorte
tremendo alguma zinca foi descansando revolver
não se envolve, não é loque, sem banca, sozinho
do tipo Zé Polvinho até na missa de Domingo
tava indo, rezar, se arrependeu e pa

- E aí ladrão e aquela lá?
- Nem dá tô devagar

passasse uma semana, e tudo começava
e no lugar que nasceu a fama só aumentava
não era o Pablo Escobar
mas era o cara e pá
num caminhão, a profissão não exige calma
o crime é igual o RAP
RAP é minha alma
deite-se no chão
abaixe suas armas

O RAP é compromisso, não é viagem
se pá fica esquisito, aqui Sabotage
favela do Canão, ali na Zona Sul
Sim, Brooklyn (2x)

Hoje choveu nas Espraiadas
Ah Policia sai do pé, Policia sai do pé
Mas mesmo assim ninguém sabe de nada
Ah Policia sai do pé, policia sai do pé
que eu vou dar um pega no...

HELENY GUARIBA MAIS UMA VÍTIMA DA DITADURA



Heleny Guariba07/06/2006Quando o golpe de 1964 instaurou a ditadura militar no Brasil, mulheres e homens amargaram nas prisões de delegacias e aparelhos clandestinos de repressão, sofrendo as mais desumanas torturas físicas e psicológicas. Com o poder nas mãos dos militares, muitas destas pessoas foram exiladas e deixaram o país. Outras ficaram, para lutar das mais variadas formas para reconquistar a liberdade e a democracia do Brasil. O ideal era o mesmo, mas as formas de luta variavam: alguns decidiram pegar em armas, através das guerrilhas, outros escolheram a arte. Dentre aqueles que optaram por este instrumento está a diretora teatral Heleny Guariba, que junto com outros nomes desconhecidos pela maioria dos brasileiros, contribuiu para semear o ideal de liberdade e de justiça em um período crítico da história nacional.Heleny Ferreira Telles Guariba nasceu em Bebedouro, interior de São Paulo, em 1941 e se criou numa família essencialmente feminina. Orfã de pai, aos 2 anos de idade, foi criada pela mãe, pela avó e por uma tia. Filha única e centro das atenções de sua família, a pequena Heleny encantava a todos com seu jeito gentil e falante. Ainda adolescente, começou a dar aulas para crianças e jovens na Escola Dominical da Igreja Metodista Central , em São Paulo, cidade para onde sua família seguiu depois da morte de seu pai. Nesta escola, desenvolveu uma de suas características mais marcantes: saber ensinar e ouvir com interesse e respeito a consideração do outro. Estudos no exteriorEm 1965, um ano depois de se formar na Faculdade de Filosofia da USP, Heleny parte para a Europa para estudar teatro, política e artes. Na Alemanha, frequentou o teatro do dramaturgo alemão Bertolt Brecht, o Berlinder Ensemble. Já na França, a diretora fez seu doutorado, além de estágios em diversos teatros do país, como o Theatre de la Cité, de Roger Planchon, também discípulo do teatro idealizado por Brecht.Na volta ao Brasil, Heleny queria colocar em prárica tudo aquilo que tinha aprendido, visto e sentido na sua temporada no exterior. Para colocar seus ideais revolucionários de transformação política e de resgate da liberdade de expressão em prática, ela usou o teatro como instrumento. Passou a dar aulas na Escola de Artes Dramáticas da USP, onde seu objetivo de popularizá-lo ganhou força entre seus alunos. Assim como Brecht, Heleny queria fazer um teatro operário, que pudesse agir como ferramenta de conscientização política. Assim, foi em Santo André, no ABC paulista, que ela encontrou o campo favorável para isso. Na década de 60, a instalação de diversas fábricas faziam com que a cidade tivesse uma forte concentração de trabalhadoras e trabalhadores, além de uma grande representatividade estudantil, o que tornava o contexto perfeito para o trabalho de Heleny. Foi então que em 1968, a diretora fundou o grupo Teatro da Cidade, formado em sua grande maioria por operários. A primeira montagem do grupo, Jorge Dandin, o Marido Traído, do dramaturgo francês Moliére, foi vista por mais de 7 mil pessoas. Em 1969, o grupo montou A Ópera dos Três Vintens, de Bertolt Brecht, um dos autores preferidos de Heleny, por causa de sua intensa veia social.O grupo tinha a alma de Helleny, que através de seu teatro popular buscava a intensificação do envolvimento político dos trabalhadores no contexto social pelo qual o Brasil passava. Mas sua história com o teatro ultrapassou as fronteiras de Santo André. Além das aulas na EAD, Heleny trabalhou com Augusto Boal, dando aulas no seminário de dramaturgia do Teatro de Arena, criado pelo diretor, A diretora também escreveu diversos artigos, publicados em jornais dos anos 60.Censura dos militares cala a voz de HelenyTanto envolvimento político provocou a ira dos militares da ditadura que não toleravam nenhuma iniciativa de transformação no pensamento dos brasileiros. Em março de 1971, Heleny foi presa pelo Dops (Departamento Estadual de Ordem Política e Social), sendo torturada por dois meses. Foi solta, mas detida novamente em julho do mesmo ano e enviada ao Destacamento de Operações de Informações, no Rio de Janeiro. Testemunhas afirmam que ela sofreu torturas por três dias e que foi assassinada na ''casa da morte'', em Petrópolis, um dos aparelhos clandestinos de repressão da ditadura. Depois disso, Heleny ingressou na extensa lista dos desaparecidos políticos da ditadura militar. A artista deixou dois filhos: João Vicente e Francisco.Todos que conviveram com ela têm como lembrança a imagem de uma pessoa companheira e sempre pronta para enfrentar situações difíceis. ''De jeito alegre e cativante, pequena, arisca e bonita - beleza que a gente percebe que vem de dentro pra fora, enraizada no espírito ágil que lhe conservava, no corpo, o jeito de menina'', disse Frei Betto sobre Heleny. Uma brava guerreira, que apesar de permanecer no quase anonimato para a grande maioria dos brasileiros deixou sua marca na história recente do Brasil, como um exemplo de fibra, coragem e perseverança. Heleny provou que não importa de que maneira, o importante é lutar por mudanças.



EX MILITAR DIVULGA NOVAS FOTOS DE GUERRILHEIROS DO ARAGUAI




16 DE SETEMBRO DE 2008 - 14h06
Ex-militar divulga novas fotos de guerrilheiros do Araguaia
Jamais encontrados, os corpos de dois guerrilheiros do Araguaia estiveram em poder de militares, revela uma seqüência de fotos cujos negativos foram obtidos pelo jornal Folha de S. Paulo e publicadas na edição desta terça-feira (16). As fotografias mostram três homens do Exército junto aos cadáveres. Elas exibem ainda a chegada do helicóptero militar que os tirou da selva, a arrumação dos cadáveres em lonas e a partida do helicóptero. As fotos são mais uma prova de que o Exército praticou assassinatos, torturas e ocultamento de cadáveres contra dezenas de militantes de esquerda no início da década de 70.


Um dos corpos seria do médico João Carlos Haas Sobrinho, um dos líderes da guerrilha do PCdoB. O outro cadáver não está identificado. É possível que seja do guerrilheiro Ciro Flávio Salazar de Oliveira, morto no mesmo combate que vitimou Haas, em 30 de setembro de 1972. Parte das fotos não é inédita. Algumas já foram publicadas em livros e na imprensa nos últimos 20 anos, mas de forma isolada, sem o encadeamento proporcionado pelos negativos. Agora é possível saber a cronologia dos fatos.
Os negativos estão há 36 anos com o ex-sargento do Exército José Antônio de Souza Perez, 60, que mora em Patrocínio, cidade com cerca de 85 mil habitantes no Triângulo Mineiro. Ele diz tê-los recebido de um colega soldado, do qual não lembra mais o nome. Conta que as fotografias foram batidas no Pará, na margem esquerda do rio Araguaia, em um acampamento improvisado na selva amazônica, onde os dois trabalharam ao longo de 1972.
Procurados pela Folha, o Ministério da Defesa e o Exército informaram que não se pronunciariam sobre as fotos.
A guerrilha rural na região do Bico do Papagaio (sudeste do Pará, sul do Maranhão e norte do então Estado de Goiás, hoje Tocantins) foi organizada pelo então clandestino PCdoB, a partir da segunda metade dos anos 60. Iniciada em 1972, a repressão militar terminou três anos depois. Houve poucos sobreviventes. Os historiadores estimam que cerca de 60 guerrilheiros foram mortos pelos militares. Apenas um corpo foi identificado, o de Maria Lúcia Petit, assim mesmo passadas duas décadas da morte.

O recolhimento
O ex-sargento Perez lembra que estava no acampamento quando a equipe que comandava recebeu uma mensagem por rádio. A informação passada era de que em breve seriam levados até o local corpos de guerrilheiros mortos há pouco em confronto.
Os dois cadáveres chegaram ao local conduzidos por fuzileiros navais amarrados pelos pés e mãos em ripas de madeira. Juca foi logo identificado, por causa do diário que carregava. A outra vítima do confronto não tinha qualquer indicação de identidade. Perez nunca soube de quem se tratava.
Para remover os corpos, aterrissou no acampamento um helicóptero militar. Fuzileiros e militares do grupo de Perez trabalharam na preparação dos cadáveres, envoltos em lonas listradas e colocados no aparelho, que decolou em seguida.
Na opinião do ex-sargento, o helicóptero seguiu possivelmente rumo à base militar instalada no campo de pouso de Xambioá, cidade na margem direita do Araguaia, em então área de Goiás. Ele afirma que nunca mais soube dos corpos.
A publicação das fotos ao longo dos anos é um mistério para Perez. Ele imagina que a origem pode ter sido o soldado que bateu as fotografias e era o dono da câmera, levada de modo clandestino para o Araguaia, pois os praças eram proibidos pelo oficialato de registrar cenas de combate.
Ele também presume que, em algum momento, as fotos podem ter sido apreendidas por algum oficial, que, anos depois, as teria divulgado de maneira anônima. Perez ficou com os negativos para tirar cópias de fotos em que posava. Ele conta que, por causa de circunstâncias do trabalho na mata, jamais teve a chance de devolvê-los ao dono.
Xambioá
O cadáver de João Carlos Haas Sobrinho, o dr. Juca, foi visto em Xambioá depois de trazido da selva pelo helicóptero militar, conta a jornalista e pesquisadora Myrian Luiz Alves. Moradores da pequena cidade na margem direita do rio Araguaia -hoje Estado do Tocantins- mostraram a ela até o local do sepultamento.
Em 1972, os militares conseguiram matar oito guerrilheiros, três deles no dia 30 de setembro. Eram Juca, Ciro Flávio Salazar de Oliveira, o Flávio, e Manoel José Nurchis, o Gil.
A revelação dos negativos obtidos pela Folha mostra o corpo que seria de Juca ao lado de um outro, de estatura menor. Dados corporais em poder da pesquisadora indicam que Juca media, quando tinha 18 anos, 1,82 m de altura. Gil media cerca de 1,75 m; Flávio, já adulto, media de 1,65 m a 1,70 m.
De acordo essa medição, o mais provável é que a outra vítima mostrada na foto tenha sido Flávio, mineiro de Araguari, ex-líder estudantil e aluno da da Faculdade de Arquitetura da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro). Tinha 28 anos quando foi morto.
Nos anos 90 e no início desta década, expedições de parentes e pesquisadores a Xambioá encontraram o local onde Juca teria sido enterrado. Uma ossada chegou a ser retirada da suposta sepultura de Juca em 1996, mas nunca houve conclusão a respeito da identificação desses restos mortais.
Autor de ''A Guerrilha do Araguaia: a Esquerda em Armas'' (editora UFG, 1997), o historiador Romualdo Pessoa Campos Filho disse à Folha que a descoberta dos negativos que mostram integrantes das Forças Armadas ao lado de dois cadáveres ''é um prova contundente de que os militares'' estiveram ''com os corpos dos guerrilheiros''.

Direito ao sepultamento

A reportagem da Folha soma-se a uma série de outras evidências que comprovam que os militares que comandaram a operação de cerco e aniquilamento da Guerrilha do Araguaia, além de promoverem assassinatos covardes e torturas, ocultaram e deram sumiço aos corpos dos guerrilheiros que tomabaram em combate.

Entidades de direitos humanos e a própria Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República tem cobrado do governo e sugerido aos poderes legislativo e judiciário que tomem providências para que os arquivos da ditadura sejam abertos para que se possa buscar informações que permitam localizar os restos mortais das vítimas da ditadura e, assim, permitir às famílias dos mortos que sepultem seus entes de forma digna e honrosa.

Clique aqui para saber mais sobre João Carlos Haas Sobrinho
Com informações da Folha de S. Paulo

"Crimes de tortura não têm prescrição", diz JOSÉ DIRCEU


"Crimes de tortura não têm prescrição", diz José Dirceu
Por Isabella Bassi/Fábio Piperno - BandNews
AmpliarO Congresso da União Nacional dos Estudantes (UNE) que aconteceu em outubro de 1968 em Ibiúna foi abreviado pela prisão de todos os participantes. Entre os cerca de mil detidos estava José Dirceu de Oliveira e Silva, na época uma das principais lideranças estudantis do país. Na época, a ditadura militar do Brasil acumulava energia para pouco depois iniciar o período de repressão mais dura aos opositores do regime.No dia 13 de dezembro daquele ano, quando o presidente general Costa e Silva assinou o decreto que instituía o Ato Institucional número 5, o país perdeu o que ainda restava de liberdade política. E para o detido militante José Dirceu, o endurecimento do regime significava que o fim da temporada de cárcere, que então parecia iminente, na verdade seria bem mais longa e rigorosa do que a imaginada. "Nós iríamos ser soltos naquele momento, mas veio o AI-5 e suspenderam", lembra ele.Com o AI-5 também chegou ao fim o relativo conforto com que eram mantidos os presos em Ibiúna. Líderes do movimento como Dirceu e o ex-deputado Vladimir Palmeira foram transferidos para o quartel de Quitaúna, na Grande São Paulo, onde passaram a ser tratados com severidade. "Lá era lavagem (a comida). E jogavam água fria à noite na cela".A liberdade só foi recuperada fora do país. Em setembro de 1969, Dirceu desembarcou na Cidade do México, país que aceitou receber os 15 presos libertados em troca do embaixador americano no Brasil, Charles Elbrick. O diplomata havia sido seqüestrado no Rio de Janeiro por militantes do Movimento Revolucionário 8 de Outubro (MR-8) e da Ação Libertadora Nacional (ALN).Com Dirceu, foram para o México Gregório Bezerra, Vladimir Gracindo Soares Palmeira, José Ibrahim, João Leonardo Silva Rocha, Ivens Marchetti de Monte Lima, Flávio Aristides Freitas Tavares, Ricardo Villas Boas de Sá Rêgo, Mário Roberto Galhardo Zaconato, Rolando Fratti, Ricardo Zaratini, Onofre Pinto, Maria Augusta Carneiro Ribeiro, Agnaldo Pacheco da Silva e Luiz Gonzaga Travassos da Rosa.Na entrevista ao site bandnewstv.com.br, Dirceu lembra que ficou sabendo que estava na lista por um companheiro de cárcere chamado de Cabeleira. Depois da escala no México, foi com parte do grupo para Cuba, onde alguns daqueles militantes recorreram a tratamento médico para se recuperar dos efeitos da tortura física imposta pela ditadura. "Era (o regime) uma ditadura, que cometeu crimes, que não podem ser nem esquecidos, nem anistiados pela justiça, porque crimes de tortura não têm prescrição", diz Dirceu.
[BandNews] O que o senhor estava fazendo no dia em que o AI-5 foi anunciado e que impacto isso causou?
[José Dirceu] Eu estava preso, no Forte de Itaipu, que fica na Praia Grande. Naquela época chamava "Grupo de artilharia de Costa 90", que era comandado pelo então Tenente-Coronel Erasmo Dias. Eu, o Vladimir Palmeira, o Luís Travassos e o Antônio Ribas. O Travassos era presidente da UNE, o Vladimir da UME (União Metropolitana dos Estudantes) e o Ribas da UBES (União Brasileira de Estudantes Secundaristas). No dia anterior, tinha sido libertado o Franklin Martins, que hoje é o Ministro da Comunicação (Social) do presidente Lula; o Marco Aurélio Ribeiro que foi deputado estadual de São Paulo, é advogado e foi do PMDB e do PT; o Omar Laino, grande empresário em Santos, personalidade na cidade, que foi presidente do Centro Acadêmico que eu presidi; e o Walter Cover, hoje diretor da VALE, que trabalhou comigo na Casa Civil. Todos nós fomos presos em Ibiúna em 12 de outubro de 1968. Eles foram soltos por habeas corpus. Nós iríamos ser soltos naquele momento, também por habeas corpus, mas veio o AI-5 e suspenderam.[BandNews] Seriam soltos no dia 13 de dezembro?[José Dirceu] Seríamos. No dia 13 de dezembro seria a nossa soltura. Eu fiquei preso até o dia 07 setembro de 1969, quando fomos trocados, eu e o Antônio Ribas, pelo embaixador dos EUA. O Antônio Ribas cumpriu pena no presídio de Tiradentes. Foi solto. Ele não foi incluído na lista por isso, porque todos sabiam que ele ia cumprir uma pena de 6, 8 meses. Após ser solto foi para o Araguaia, onde até hoje é desaparecido. Eu estava com a certeza absoluta que ia passar o dia 13 de dezembro comemorando a nossa libertação.[BandNews] E como eram as informações que chegavam a respeito da censura e da repressão enquanto o senhor estava na prisão?[José Dirceu] Na prisão nós já tínhamos a consciência que havia um endurecimento da repressão. Havia um fechamento político, a censura já existia, as torturas estavam começando. Já havia, na verdade, o Ato Institucional número 2. O regime militar havia extinguido as eleições para presidente da república, governador e prefeito de capital. Criou as áreas de segurança nacional, o que foi um pretexto para suspender eleições em cidades importantes onde a oposição, ou a esquerda, tinha maioria. Incluíram as áreas chamadas estâncias hidrominerais. Também já havia extinguido os partidos políticos e criado a Arena e o MDB. A censura já era uma realidade no país e a repressão política já era grande no movimento estudantil, aos intelectuais, em protestos e as informações que nós recebíamos não eram boas. Estava na iminência do fechamento. Como nós chamamos, um golpe dentro do golpe.[BandNews] Como chegou a informação do AI-5 para você?
[José Dirceu] Eu não me recordo. Sou péssimo de memória. O Vladimir Palmeira que é bom para isso. É capaz de lembrar o que estávamos fazendo, como estamos aqui agora. Não me recordo como chegou. Não tínhamos acesso a informação de jornal e rádio. Tínhamos o direito de tomar sol. A prisão lá era uma casa. Era uma prisão em boas condições, também porque o governo militar nos escalou para ser um pouco os garotos-propaganda de que não havia tortura e que havia bom tratamento.[BandNews] Mas vocês sofreram algum tipo de tortura?
[José Dirceu] Lá não. Cortaram o nosso cabelo, fizemos tratamento odontológico, podíamos tomar sol todos os dias e a alimentação era igual a do quartel. Comida sadia. A situação se agravou foi quando nós viemos aqui para a delegacia, porque ninguém nos queria. Os militares não queriam estudantes presos, muito porque havia muita publicidade. Aí nós viemos aqui para a delegacia da rua 11 de Junho. Ali era uma cadeia provisória. Ficamos lá uns 90 dias e não tinha nenhuma condição, nem mesmo lugar para tomar banho. Era tudo muito precário. Depois nós fomos para o Quarto RI de Quitaúna. Lá era lavagem, tratamento violento. Jogavam água fria à noite na cela. Não tínhamos acesso a nada. Mas nós sempre tivemos acesso às informações com os outros presos. Ou com os soldados presos. Havia muito soldado preso por pequenas contravenções, coisa de quartel. E contavam as coisas para nós. Emprestavam jornal, radinho. Eu me lembro como nós ficamos sabendo do seqüestro. Foi um preso que era líder do quartel. Nós o chamávamos de Cabeleira. Era um rapaz alto e magro. Ele me chamou e falou: "Olha, tem uma lista aí e você está na lista. Sequestraram o embaixador e você está na lista."[BandNews] Como foi a militância na clandestinidade?
[José Dirceu] Fui banido do país. Cassaram a minha nacionalidade, me colocaram em um avião e me mandaram para o México. Eu não pedi para sair do Brasil e não sairia jamais. Por isso que voltei. Ficamos no México. Fomos recebidos pelo governo e ficamos em um hotel que existe até hoje lá, no centro da cidade. Acho que ficamos até o final de outubro e depois fomos para Havana. Em Cuba nós éramos hóspedes do governo cubano. O comandante Fidel Castro nos recebeu no aeroporto. O Ricardo Vilas Boas, que é um músico, e o Flávio Tavares (jornalista) não foram para Cuba. O nosso herói, o Gregório Bezerra, que já era um homem de mais 60 anos, foi para a União Soviética tratar de um câncer. Os outros 12 foram para Cuba. Primeiro fomos conhecer. Alguns tinham sido torturados. O grupo foi procurar tratamento e se recompor porque alguns tinham sido muito torturados, como a Maria Augusta, João Américo da Silva Rocha, o Gregório Bezerra, o Onofre Pinto e o José Ibrahim também. O Ricardo Zaratini também foi muito torturado. Eu, o Travassos e o Vladimir não. Eles foram primeiro fazer tratamento. Depois fomos conhecer o país e fazer treinamento militar.[BandNews] Quando chegou a notícia do AI-5 vocês já tinham plena consciência que aquilo formalizava a ditadura militar?
[José Dirceu] Aquilo na verdade transformava a ditadura em um regime totalitário. Logo depois veio a pena de morte, se institucionalizou a censura. Tinha censor do Estado de São Paulo nos veículos de imprensa. Começaram as invasões nas universidades, a repressão a milhares de estudantes, já eram 34 mil os brasileiros fora do país e 14 mil entidades tinham sofrido intervenção. Centenas de jornais, revistas, livros, músicas, peças de teatros tinham sido censurados, vários artistas tinham sido expulsos do país como o Caetano Veloso e Gilberto Gil, teatros tinham sido invadidos e depredados. Mas o pior é institucionalizar e legalizar a tortura. Foi criada a Operação Bandeirantes (Oban), com o apoio de empresários e com muita anuência da imprensa. Depois evoluiu para o DOI-CODI, que já é dentro dos estados maiores, das regiões militares, como chamava na época. Então os exércitos formavam os DOI-CODI, que serviam na verdade para recolher informação, torturar, assassinar, desaparecer. Criaram uma estrutura para combater a subversão.[BandNews] A vida de quem estava preso piorou depois do AI?[José Dirceu] Lógico! Pioraram as condições na cela, alimentação, você não tem contato com ninguém. Havia muita violência porque também começaram a haver os choques armados entre a polícia civil, DOPS, militares e guerrilheiros.[BandNews] E entre vocês que estavam presos? Afinal, o convívio entre as diferentes correntes da esquerda nunca foi tranqüilo...
[José Dirceu] Eu nunca tive problema na prisão durante o regime por razão de política. Primeiro porque eu me dava muito bem com o Travassos, que era uma pessoa muito afável. O Vladimir sempre foi muito meu amigo. E o Ribas era um jovem, quase um adolescente, idealista e sonhador. Os secundaristas eram muito radicalizados. No movimento estudantil de 1968, o setor mais radicalizado era o de secundaristas. Não eram os universitários. Quem enfrentava mesmo a polícia, na linha de frente com bolinhas de gude e estilingue, eram os secundaristas. Nós ficamos presos quase todo o tempo, mas nós tínhamos boas relações. O Vladimir foi embora da delegacia, levado para o Rio. Só reencontrei o Vladimir no Galeão. Eu, o Travassos e o Ribas ficamos presos.[BandNews] Agora olhando tudo isso 40 anos depois, o presidente Costa e Silva teria caído, teria havido um golpe dentro do golpe, se não fosse o AI-5?[José Dirceu] Não diria que teria havido um golpe dentro do golpe porque ninguém discordou do AI-5. Não havia uma facção militar contra o AI-5. Não havia mais uma ala civilista ou democrática. Meu pai, por exemplo, é um gráfico, dedicou a vida toda à tipografia, criou sete filhos em uma cidade pequena de Minas, votou no Jânio e apoiava o movimento de 1964, o golpe militar, mas quando chegou em 1966 já estava rompido. Já era a oposição, achava que aquilo era uma ditadura, que deveria ter havido eleição em 1965. Quando o Costa e Silva toma posse já é um abre-alas e depois o Médici é a consolidação da ditadura. Não tem essa história que é por causa da luta armada e da guerrilha, porque no Brasil nunca houve, a rigor, luta armada ou guerrilha. No Brasil, ocorreram ações militares. Se você levantar hoje todas as ações que aconteceram e pegar qualquer outro país, você vai ver as diferenças. Guerra civil é outra coisa. No Brasil nunca chegou a ter luta armada que ameaçasse a estabilidade do regime.[BandNews] Mas você concorda que com o Médici houve a ascensão de um grupo ainda mais duro?[José Dirceu] Não, o Costa e Silva sempre foi da linha dura. Temos que lembrar que os militares tentaram tomar o poder em 1951, 1954, duas vezes em 1955, em 1961 e depois, em 1964, conseguiram. Então nós temos que lembrar que isso é uma doutrina, que tem origem na Escola Superior de Guerra. É uma luta política dentro do país. Os militares tiveram apoio das classes médias, das classes empresariais. É uma luta política entre concepções no Brasil sobre o desenvolvimento. O golpe militar não é uma quartelada militar. Em 1985, quando o Sarney assumiu, não tinha mais ditadura, mas tinha aquele entulho autoritário, com leis, controle de aparelhos de Estado, mas não tinha mais ditadura. São 21 anos de ditadura. Mas o Brasil de 1985 é outro país, que não tinha nada a ver com o Brasil de 1964. O país cresceu, se desenvolveu, concentrou renda, acumulou pobreza, favelas, muita desigualdade, aumentou a desigualdade regional, mas o país se industrializou, fez indústrias químicas, o país desenvolveu no setor de telecomunicações, desenvolveu no setor elétrico, criou indústrias de base... então é outro país. É verdade que abandonou as ferrovias, quebrou o país deixando uma dívida externa, mas o país desenvolveu o pró-álcool. Então você nunca pode analisar um período histórico dizendo que aquilo foi uma ditadura autoritária, que não teve nada no país. Isso não é verdade em nenhum país, em nenhuma época da história. Agora isso não tira o fato de que era uma ditadura, que cometeu crimes, que não podem ser nem esquecidos, nem anistiados pela justiça, porque crimes de tortura não têm prescrição.
Publicado no
site da BandNews em 05/01/2009

Frase de Che Guevara:
"Se você é capaz de tremer de indignação a cadavez que se comete uma injustiça no mundo, então somos companheiros."

segunda-feira, 23 de março de 2009



E PERCEBER QUE NÃO SOMOS ÚNICOS E QUE EXISTEM VÁRIOS ROSTOS VÁRIAS ALMAS E A BEMFAZEJO É AQUELE QUE FAZ DA AMOROZIDA METAS DE VIDA..RESPEITANDO CADA LIMITAÇÃO DO SER HUMANO COMO UM TODO.....






AI QUE VEM DE BRISA LEVE,MANSA, ACARICIA AS ALMAS POIS LOGO O VENTO VEM NÓS FAZ CORRER TRÁS A TEMPESTADE OS RAIOS! TROVÕES NOS ACORDA A ALMA NOS LEVAS AO MARES REVOLTO AO AGITO DAS ÁGUAS GOTAS REFRESCANTES QUE AOS ROCHEDOS ESGOTAM TODAS ENERGIAS ALI A ALMA TRANSFORMA NOSSO PENSAR ZÁS UM MINUTO BASTA TROCAMOS DE ROUPAGEM QUEREMOS VOAR ESTAR PERTO DO INFINITO MAS É UM FINITO UM OLHAR DE ÁGUIA VOAA ALTO SEJA A TRANSFORMAÇÃO QUE SEU CORAÇÃO DESEJA CORRA NESSA BUSCA POR LIBERDADE SEJA A NATUREZA PURA CAMALEÃO, ÁGUIA PODES SER O BICHINHO QUE DESEJAR ESSE ESPIRITO AI QUE SEMPRE LÁ VAI ESTAR.. POIS NÃO SÃO BICHO HOMEM... QUEM DERA SER UM LOBO NA NOITE ANDAR, SER UM SER HUMANO COM A VISÃO DA ESCURIDÃO TER OLHOS DE LINCE , SER RÁPIDO DECIFRAR O MAR A FORÇA DE UM LEÃO, NÃO CAIR COM AS INJUSTIÇAS A CORAGEM DE UMA FORMIGA, ORGANIZAR A VIDA SEM MEDO OS PASSOS DE UMA TARTARUGA , CAMINHAR CONFORME O CORAÇÃO DAR ASAS E AO CÉU CHEGAR UM BEIJA FLOR QUE A BELEZA EM TUDO VÊ SER UM CÃO E AMIGOS TER E CONSERVAR A AMIZADE MAIS QUE UM GATO IA BEM! RECEBER MIMOS E DAR CARINHO NO FIM SER TUDO E NADA POIS O BICHO HOMEM SÓ NÃO APRENDEU AINDA O SIGNIFICADO DO RESPEITO, PELA VIDA E A CADA DIA PERDE UM BUCADINHO DA BELEZA QUE ESTA AI DIANTE DOS OLHOS..DE CADA UM FICA NAS AMARRAS QUE FAZ PRA SI PRÓPRIO AI QUE UM DIA SE LIBERTA..E EM VEZ DE AGIR PASSE A VER COM ALMA..

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

SOLIDÃO


SOLIDÃO

Solidão espelhada
Tola sensação
Torturas inacabadas
Carnaval
É inutil
Papoulas
Vestido de cetim
Gozo agora
Uma solidão
Imensa
Sensata
Incapaz
De ir-se
Correntes
Sementes
Finda-se
Corrompe
Intontece
Afoga-me
Espaços
Lastro
Alma
Da boa sorte
A morte
Por forte
Palidez
Risca
Vida
Do olhar
Saudade funda
Mistura
No querer
Sem poder
Poço
Fundo
Cascastas
Mumurios
Saltam
No abismo
Do meu ser
Um carnaval
Uma chuva de verão
Uma tempestade secular
Ar que falta..
Nilda
26/02/09
2/09

LÉO E BIA


Léo e Bia
Oswaldo Montenegro
Composição: Oswaldo Montenegro
No centro de um planalto vazio

Como se fosse em qualquer lugar

Como se a vida fosse um perigo

Como se houvesse faca no ar

Como se fosse urgente e preciso

Como é preciso desabafar

Qualquer maneira de amar valia

E Léo e Bia souberam amar

Como se não fosse tão longe

Brasília de Belém do Pará

Como castelos nascem dos sonhos

Pra no real, achar seu lugar

Como se faz com todo cuidado

A pipa que precisa voar

Cuidar de amor exige mestria

E Léo e Bia souberam amar

A LINHA DO TREM


A linha do trem
Vem traz bagagem
Fuligens noticias
Vem trazendo fumaças
Respostas as apostas
Deixa ficar e leve que se vai
Montanhas sinuosas
Cortas paisagem
Verdes ,aridos
Rochas fortaleza
Para na estação
Permiti que fique
Permita que se vá
Apenas deixas escolhas
De seguir pela linha do trem
Embarque viage
Voe seja no trem
Na vida..
Viage na linha pipas
Livre ..desperte
Nilda
26/02/09

CRISTAL


Cristal
Oswaldo Montenegro
Composição: Oswaldo Montenegro

Era de vidro, quase de lâminahá de haver no espaço uma igual

Era uma lagrima, há de ter sido um choro natural

Era estrela clara de lua gota de lume branco e de sal

Era vitrine como é vitrineo olho, a janela, a ruga e o cristal

Era de água, quase de espelho como o olhar de quem passa mal

Era de lua sempre de enluarada impressão divina e normal

Era menino, muito menino como é menino o bem contra o mal

A PARTIDA DE MIM É SAUDADE


A partida de mim é a saudade..
dados sentimentos me faz menina
que chora, ri brinca
mas a mulher se aflora
intensa, serena
melancólia mas viva
gata, mas fera
pudera ser quimeira
fogo paixão não apenas solidão..
Nilda 26/02/09

ROSAS DOS VENTOS


Rosa-dos-Ventos
Oswaldo Montenegro
Composição: Indisponível

E do amor gritou-se o escândalo

Do medo criou-se o trágico

No rosto pintou-se o pálido

E não rolou uma lágrima

Nem uma lástimaPra socorrer

E na gente deu o hábito

De caminhar pelas trevas

De murmurar entre as pregas

De tirar leite das pedras

De ver o tempo correr

Mas, sob o sono dos séculos

Amanheceu o espetáculo

Como uma chuva de pétalas

Como se o céu vendo as penas

Morresse de pena

E chovesse o perdão

E a prudência dos sábios

Nem ousou conter nos lábios

O sorriso e a paixão

Pois transbordando de flores

A calma dos lagos zangou-se

A rosa-dos-ventos danou-se

O leito dos rios fartou-se

E inundou de água doce

A amargura do mar

Numa enchente amazônica

Numa explosão atlântica

E a multidão vendo em pânico

E a multidão vendo atônita

Ainda que tarde

O seu despertar
Meio que passei a madrugada ouvindo Oswaldo Montenegro, e meio que assim uns rabisco saiu...

PORTUGAL


PORTUGAL

P- Portugal das pedras dos mares solares

O- Outrora vinda da aurora, aportaste aqui

R- Rubro dia em que cara e velas iluminaste esta união

T- Traduz a amizade e os laços destes Lusitanos

U-Um sabor que hoje se apercebe-se pela ser bucólico

G- Ganho real, visual, humano, laços, abraços e beijos

A- A quimera das noites, enebria no som, no murmurio dos fados, fatos..

L- Largos sorrisos que distribuem, carinhos de alma de amigo(a) ..

Nilda .....
25/02/09

ESTOU EM TI


ESTOU EM TI.
NO SEU OLHAR


NA ROSA QUE ME OFEREÇE
NO PERFUME QUE PASSAS
NO AOROMA QUE FAZ SUSPIRAR
NO TEU AMANHECER
NAS HORAS QUE NÃO ESTOU
E NOS MOMENTOS QUE FICAMOS AQUI
E PRINCIPALMENTE NO MAR
NA BRISA
QUE TE ACARICIA
POIS SABES QUE BEM LONGE ESTOU INDO AO SEU ENCONTRO
MESMO QUE NÃO TE TOQUE
MESMO QUE NÃO TE BEIJE
MESMO NÃO ESTEJA EM SEUS BRAÇOS
TENHO-TE
EM CADA ESTRELA DO MEU DIA
EM CADA SORRISO QUE RECEBO
PORQUE ESTOU FELIZ
Nilda
26/02/09

domingo, 22 de fevereiro de 2009

SEM PALAVRAS....



POR TI
Por ti eu sou capaz de tudo
Por ti é caminho sem fim
Por ti o sol brilha em toda intensidade
Por ti o sentimento é esfera
Por ti a brisa é um risco
Por ti a tempestade vem
Por ti um riso é fácil
Por ti a brisa trás, seu sonhar.
Por ti, por ti o mar é mais intenso.
Por ti a noite tem mais estrelas
Por ti fica mais au azul
Por ti... as flores perfumam o ar
Por ti. És musica
Por ti é sentimento
Por ti é um constante buscar
Por ti é vida no ar
Por ti seria muitas coisas
Por ti sou apenas vida
Nilda

SONS DO SILÊNCIO


**SONS DO SILÊNCIO**
Vania Staggemeier
Vagueio na noite...
A procura de sons...
Que mesmo em silêncio...
Desejaria ouvir tu te manifestares...
Porque as palavras emudeceram...
Porque o vento com tua fragrância...
Não sopra mais com a mesma intensidade...
Porque às vezes me encontro morrendo...
Porque em outras me encontro correndo...
Ao sabor do vento que nada me diz...
A
saudade é tanta...
E eu ainda sobrevivo...
Mas cada dia que passa...
Acordo sonhando com um mágico encontro...
E em meio a delírios eu continuo te amando...
Já não tenho pressa...
Hoje vagueio alada no meu mundo...
Às vezes perdidas...
Às vezes me reencontrando..
.Choro liberta já ninguém me ouve...
E na sombra de meu pensamento...
No silenciar de minha alma...
Encontro teu nome descrito...
Com ternura e carinho...
E por isso tudo eu continuo...
A escrever meu poema de amor...
Falando-te de meu coração...
Na sombra de meu pensar...
Mesmo sem voz ao som do silêncio...
Continuarei a falar “A –M-O-R”